Retorno ao Sistema

domingo, dezembro 06, 2009 3 comentários

Não havia cores, cheiros e nenhuma forma de barulho.

Mergulhávamos a mão em algo invisível e foi assim que percebemos que depois de certo ponto desaparecíamos.

Deceparam parte por parte dos nossos corpos. Mas mesmo assim éramos insistentes – sempre tocávamos na camada.

Um dia ficamos todos invisíveis e intocáveis.
a natureza atômica da matéria se transmutara apenas em idéias.

Nossas reuniões eram em público mesmo – já que ninguém poderia nos enxergar. (ou detectar nossas presenças através dos cinco sentidos)

Mas o pior aconteceu: um dos nossos cansou do anonimato e decidiu voltar para o outro lado da camada.

Assim um a um foi indo – desejávamos ser vistos, pois a vida clandestina não proporcionava reconhecimento.

Nunca mais fomos vistos juntos, a visibilidade do mundo foi capaz de jogar-nos em terras diferentes.

A camada continua ali: sem cor, cheiro e sem nenhuma forma de barulho.

Eles esqueceram. Nós esquecemos.



Poema publicado 28 de Maio de 2008 no blogger
Metamorfose de Monstros

3 comentários:

  • Mai disse...

    Oi, Lisa, passei uma vista bem generalista e ficou lindo.
    Em meio a tantas feras, espero poder somar.

    Abraços e obrigada
    Tô seguindo e vamos lá!

  • uai, mundo? disse...

    Se se pode fazer uma associação livre, eu diria que a visibilidade aqui pressupõe um egocentrismo, uma carreira de ídolos, onde o eu vale mais do que o conjunto. Entendendo por essa metáfora eu achei lindo. Meu abraço. Paz e bem.

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