Cartas de um Mochileiro - Capitulo XII

sexta-feira, março 12, 2010 3 comentários

Coisas Divinas

Hoje observei meus traços em um pedaço de espelho. Algumas linhas apareceram, alguns traços foram modificados e meus olhos tendem ficar ano a ano mais profundos. É estranho: eu sei me reconhecer, a gravidade dos anos transportou para perto de mim uma parte desapegada, tolerante, racional e pacífica. Sou o famoso homem-médio, senhor da mediocridade, padronizado, mecanizado e industrializado. Reconheço também a inexistência das coisas: a estrada, Beatriz e Jamila desapareceram com alguns medicamentos. Hoje penso no passado como uma aventura de um livro que não terminei. Confesso, a felicidade estava relacionada com o lado fictício da minha vida. O mundo imaginário pertencia a um lado do meu cérebro que os médicos decidiram aposentar. “Agora o paciente aceita e vê o mundo da forma como deve ser vista e acreditada.”
Querendo ou não, o médico também sabe que tudo é uma questão de crença. Tudo não passa de um efeito placebo, acreditamos em alguma coisa e esta alguma coisa tem o poder de criar universos, curar doenças, fazer milagres, ressuscitar os mortos e dar vida a seres que no senso comum nunca existiram.

Eu sou uma criação divina e meu mundo é minha criação. Sou o Deus de minhas coisas e a coisa de meu Deus.


Capítulo referente as Cartas de Um Mochileiro. Para ler mais é só clicar aqui

3 comentários:

  • Cacá disse...

    O vazio da existência quando bate na porta da lembrança procurando o dono dele, não provoca saudade alguma, apenas lamentos. Esse é um fim de vida que adoece mais do que já comummente no dia a dia. Aí é que entra a medicina com seus placebos, pois como voce bem disse os médicos também são mais um elemento do senso comum. Muito bom! Abraço. paz e bem.

  • Loan disse...

    Que lindo isso, Lisa. Senti-me dentro de um cinema, agora. Um cine-mental. Posso publicar este texto em meu blog, algum dia?

    Bjos

Postar um comentário

Followers

 

©Copyright 2011 Sinestesia Cultural | TNB