Verdade e Ficção

segunda-feira, maio 10, 2010 3 comentários


Muito se fala sobre as religiões, se são verídicas ou não, ou se podemos confiar no que dizem, de fato; mas até que ponto a verdade realmente importa? Eu acredito na poesia, mesmo que seja "mera" fantasia. Eu acredito nos mortos, porque eles nos trouxeram a vida; além de nos continuarem trazendo, por todo o sempre, até que um dia seja vinda a nossa vez. Bem-vinda ou não.

Ultimamente tenho pensado bastante nisso, mesmo, no que realmente importa e o que realmente importou nas coisas que fizemos ou realizamos em nossas vidas. Será que a coerência, ou a incoerência, algum dia de fato atrapalhou no resultado final de uma obra? Não falo de pontes ou torres, mas poderia, sim, falar de Pisa. Talvez o próprio atrapalhar-se seja parte da beleza humana. Talvez, não seja talvez e, sim, certamente. O que um dia pareceu transtorno, falha, síndrome de alguma coisa, no outro dia acabou em... Pizza? O que era fogo, trevas, terror e tempestade, foi um simples copo d'água... Metade vazio, metade cheio, importa? Cada um tem seu caminho, escolhido e empurrado pelas próprias cirscunstâncias da vida, esse personagem que criamos e escolhemos para fazer parte de nossa... peça. O diretor é ator, mas às vezes se esquece do detalhe. Quem sou para falar da religião alheia? Não sou líder, nem fiel, e muito menos Messias. Mas tenho meus momentos de ternura, busca ou liderança. Ou, talvez não seja ou e, sim, e; várias coisas ao mesmo tempo, o que tenho plena convicção (fervorosa ou condensada) de que isso acontece com todos, inclusive, com nossos Messias e Messi(as), que foram homens e mulheres acima de tudo. Entre tudo, entretanto...

Hoje aconteceram duas coisas engraçadas durante o meu dia. Sentado em uma sala, uma pessoa sentou-se à minha frente, com os cabelos presos sobre a cabeça, deixando, em sua nuca, apenas três pequeninos fios, que desciam por seu pescoço desinteressadamente, de forma tão leve, que apenas obedeciam sua razão de ser. Era uma mulher. Distraído, olhei para seu pescoço, sem pensar. Posso dizer "sem pensar" porque não me dei conta de que, alí, naquele momento, eu não olhava mais para um pescoço e, sim, para uma jugular. Eu não era eu "mesmo", era eu animal. Coisas de ser humano. No mesmo instante, a pessoa, sem se virar, passa a mão por entre o pescoço, como se tivesse sentido alguma coisa, alguma ação, uma metonímia. E então percebi. Foi real? Fiquei intrigado, mudei de lugar. Em outra hora do dia, porém, andando pelas ruas da cidade, vi um pombo. Eu tinha pressa, mas pude ver suas cores. Cinza, com uma faixa branca no peito e duas faixas verde e rosa, brilhando quentes no pescoço. Pensei, "que bonito". E perguntei, "quem foi que lhe desenhou?". O céu que estava nublado se abriu. Um sol tremendo despontou, arrepiando nossos pelos dizendo: "eu ainda estou aqui". Ri, com minhas idéias e descrenças.

Foi apenas coincidência? Pode ser, pode não ser. É mais poético pensar que não, ou sim, foi um raio de sol que pousou sobre minha cabeça, e a de todos os outros que andavam tão ocupados e pelados sobre suas certezas. Cegos de um rei. Filhos de um pé só.

"There is some fiction in your truth, and some truth in your fiction. To know the truth, you must risk everything." ~ Animatrix, Kid's Story

publicado no blog Sub.vertente em 04/05/10

3 comentários:

  • Cacá disse...

    Entre verdade e ficção e prefiro ficar com a revelação de uma finíssima sensibilidade extra corpórea. Linda a prosa! Abraço grande. Paz e bem.

  • Lisa Alves disse...

    Lendo sua belessima crônica pensei: qual é minha religião, no que acredito, quais são meus rituais?
    Sei que sigo tanto minhas próprias conspirações que isso tornou-se uma crença e um rito. Existe uma natureza personificada em algo, se ela aperta o botão ou gosta de oração, eu não sei. Na verdade tenho absoluta certeza que algo me obriga de forma indireta a escrever isso....

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