Vida em Três Atos

quinta-feira, janeiro 14, 2010 2 comentários


Primeiro Ato

Aconteceu em um dia. E nem era desses dias belos que o pai acorda seus filhos anunciando boas novas. Era um dia comum - tão comum quanto o cheiro do café pronto que a mãe coa todas as manhãs e provoca sutilmente o despertar de toda família. Ninguém esperava aquele homem, ninguém contava com astúcia e coragem daquele que um dia era apenas uma criança (gerada para se tornar um príncipe em um paraíso onde ninguém entra para servir).

Segundo Ato

O shopping estava cheio, embora não fosse uma data especial. Pessoas vendiam e pessoas compravam (um ritual comum entre cidadãos que prezam pelo PIB anual). Ele se manteve quieto. Não tencionava chamar atenção. Mas no fundo o coração batia acelerado. Todos se lembrariam de seu grande feito. Um homem comum, com uma vida comum e um grande ato.

Terceiro Ato

As chamas eram tão intensas e brilhantes quanto os fogos de artifício exibidos nos céus do reveillon de Copacabana. Mas o cheiro da carne humana era tão insuportável quanto os gritos e lágrimas de dor produzidos pela astúcia e coragem do jovem Mohamed. O mais novo príncipe do céu de Allah.

2 comentários:

  • Cacá disse...

    De um lado o ocidente banalizando a vida com bombas psicoativas em forma de fetichização da mercadoria: a transformação da mercadoria em algo humano e do humano em coisa. Do outro, em algumas partes do oriente, a banalização da vida pela via do fundamentalismo. Einstein tinha razão, se houver uma quarta guerra mundial, será com pedras (paus acho que não vão sobrar). Ótimo conto. Abraço. Paz e bem.

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